Juazeiro do Norte bate recorde em casos de violência contra mulher
Juazeiro do Norte é a cidade com maior número de casos de violência contra a mulher no
interior do Ceará. Até agosto deste ano foram registrados 1.235 boletins de ocorrência,
423 medidas protetivas, 404 inquéritos policias e 92 prisões. Os dados são da Delegacia de
Defesa da Mulher (DDM) do município.
De acordo com a delegada titular da DDM Débora Gurgel, os números são expressivos, mas
ainda não refletem a realidade. O aumento dos registros é resultado do trabalho da rede
de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher. “Porque cuidar do
zelo da família é um dever de todos nós, do Estado e de todos nós”, afirma a delegada.
Formada em Direito pela URCA, Débora Gurgel está há 8 anos à frente da Delegacia de
Defesa da Mulher de Juazeiro do Norte. Para ela, a Lei Maria da Penha foi um “divisor de
águas” no trabalho de combate e prevenção da violência doméstica e familiar contra a
mulher, como a medida protetiva no Cariri.
“Nós necessitávamos urgentemente de uma legislação específica que trouxesse
mecanismos para que as vítimas tivessem condições de denunciar, porque antes da
implementação da Lei não havia a possibilidade da responsabilização criminal do
agressor”, explica titular da Delegacia.
Os crimes mais frequentes registrados em Juazeiro do Norte são os de ameaça, crimes de
injúria e de lesão corporal leve. O atendimento é realizado de forma pormenorizada, com
estuda humanizada, orientação dos direitos e realização dos encaminhamentos
necessários. “Nós não somos máquinas, nós não realizamos um trabalho mecanizado”,
afirma a delegada Débora Gurgel.
O trabalho no combate e prevenção à violência contra a mulher é delicado e difícil. “A
gente trabalha com emoções, com sentimentos, com relações familiares que estão
abaladas, que estão em conflito. Então recebemos mulheres, crianças e idosas muito
fragilizadas, muito vulneráveis”, conta a titular da Delegacia. Proteger quem passa por
isso é descrito como “gratificante” pela equipe formada por seis escrivãs (três mulheres) e
nove inspetores de polícia (quatro mulheres).
“A gente se sente gratificado por ver o resultado. A gente se sente muito feliz quando
recebe mulheres de volta. Várias vêm aqui, retornam e dizem que hoje são outras
mulheres, que hoje são outras pessoas, que se soubessem que era assim teriam vindo
antes”, finaliza a delegada Débora Gurgel.
Fonte: Site Miséria

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