As trocas de farpas entre Ciro Gomes (PDT) e o ex-presidente Lula (PT)
levaram setores petistas no Ceará a consideraram o rompimento da aliança
entre os dois grupos políticos no estado nas eleições de 2022.
Desde
2006, quando o hoje senador Cid Gomes foi eleito governador, os Gomes e
o PT estão lado a lado nas eleições para o Governo do Ceará. No entanto
o panorama para 2022 é incerto.
Agora,
enquanto o PDT tem como pré-candidato a governador Roberto Cláudio,
ex-prefeito de Fortaleza, com apoio de Ciro e Cid, o PT está dividido
entre manter a aliança com os pedetistas ou lançar uma candidatura
própria.
Caso o PT decida partir para a disputa, o objetivo principal
é garantir no Ceará um palanque a Lula, provável candidato petista à
Presidência.
No entanto, o deputado federal José Guimarães,
vice-presidente nacional do PT, e o governador Camilo Santana, cotado
para disputar o Senado, defendem a manutenção da aliança com o PDT.
Por
outro lado, o deputado federal José Airton Cirilo e a deputada federal
Luizianne Lins, ex-prefeita de Fortaleza, são defensores da candidatura
própria do PT. José Airton colocou seu nome à disposição do partido para
ser o candidato a governador.
Nos bastidores, José Airton e
Luizianne argumentam que, com o PDT na cabeça de chapa para o governo em
uma aliança, a coligação seria dominada pelo grupo de Ciro, sem espaço
para fazer campanha para Lula, mesmo com Camilo bem avaliado na disputa
pelo Senado.
O desgaste entre PDT e PT em âmbito nacional foi
ampliado neste mês. No dia 2, Ciro foi vaiado em manifestação contra
Bolsonaro em São Paulo por apoiadores de Lula. Uma semana depois, o
ex-ministro discutiu com a ex-presidente Dilma Rousseff nas redes
sociais.
Ciro acusou Lula de conspirar a favor do impeachment da
petista. Em seguida, a ex-presidente afirmou que o pedetista “mente
descaradamente”.
Em meio às fagulhas entre Ciro e Lula, uma ala do PT
do Ceará iniciou o movimento em defesa da candidatura própria do
partido ao governo do estado em 2022.
O grupo realiza plenárias com a
militância do PT e pretende fazer caravanas em cidades do interior para
levar mensagens do partido para a população.
A campanha é batizada
de “PT lá e cá”, em alusão a Lula na disputa nacional e uma candidatura
petista no pleito estadual. Porém a definição final deve ser da direção
nacional do PT.
As reuniões são vistas nos bastidores do partido como
estratégia do grupo para pressionar a cúpula da legenda. No entanto a
missão é considerada árdua pelos defensores do rompimento com o PDT.
Um
dos fatores para essa avaliação é o bom trânsito que José Guimarães,
defensor da aliança, tem com Lula e a presidente do PT, Gleisi Hoffmann.
No
PT do Ceará, José Guimarães se tornou desafeto interno do deputado
federal José Airton Cirilo, mais cotado para disputar o governo.
Guimarães
argumenta a interlocutores que é mais importante assegurar uma cadeira
para Camilo Santana no Senado em sintonia com o PDT, que tem um terço
dos prefeitos do Ceará, e que a prioridade da direção nacional do PT é
lançar nomes do Legislativo, em detrimento aos governos estaduais.
O
grupo que sustenta candidatura própria defende aliança com partidos de
esquerda, como PC do B, PSOL e PSB, e com o MDB, comandado no estado
pelo ex-senador Eunício Oliveira, que presidiu o Senado no período do
impeachment de Dilma Rousseff e é inimigo político de Ciro Gomes.
Na
avaliação de José Airton, se Eunício estiver disposto a uma aliança com o
PT, o partido não terá restrições, apesar do impeachment em 2016. O
deputado disse acreditar que a divergência do passado pode ser superada.
“Acho
que sim porque Eunício sempre foi um aliado nosso. Foi ministro de Lula
e defendeu Dilma até quando pode. Articulou para ela não ficar
inelegível. Ele apoiando Lula eu acho que supera.”
Eunício foi um dos
pivôs do bate-boca entre Ciro e Dilma no início do mês. O ex-ministro
criticou a reaproximação do ex-presidente Lula com caciques do MDB que
foram favoráveis ao impeachment, que culminou com a ascensão de Michel
Temer ao poder.
Durante visita ao Ceará em agosto, Lula se reuniu com
Eunício e outros líderes locais do MDB. O ex-presidente também teve
encontro com o senador Cid Gomes.
A ala petista contra a aliança
ainda diz que o PT tem espaços reduzidos no governo de Camilo Santana. O
partido tem apenas um integrante entre os secretários estaduais.
Enquanto
as duas alas petistas entram em choque, o governador Camilo evita se
manifestar sobre o assunto. Ele não tem planos de deixar o PT, mas
reforça em entrevistas a lealdade ao grupo político de Ciro.
Para ser
candidato a senador, Camilo deverá se desincompatibilizar do cargo no
início de abril. Quem assume o Governo do Ceará, com isso, é a atual
vice-governadora, Izolda Cela (PDT), em mandato-tampão de nove meses,
que deve colocar a máquina estadual em prol da articulação pedetista.
Apesar
das unidades recentes em eleições estaduais, o PT já experimentou ser
adversário dos Gomes em Fortaleza, nas eleições municipais. A aliança no
município, desde a redemocratização, ocorreu apenas 2008, na reeleição
de Luizianne Lins (PT) para a prefeitura da cidade.
Quatro anos
antes, em 2004, ela foi candidata a contragosto da direção nacional do
PT, que orientou pela aliança com o então candidato do PC do B, o
ex-senador Inácio Arruda. Mesmo assim, Luizianne e aliados enfrentaram a
recomendação nacional, que tinha o apoio nos bastidores de Lula, à
época presidente.
Na época, como ministro da Integração Nacional do governo Lula, Ciro Gomes apoiou Inácio Arruda.
Em
2012, Ciro Gomes bancou a candidatura de Roberto Cláudio, então
presidente da Assembleia Legislativa, à Prefeitura de Fortaleza. Filiado
ao PSB, ele venceu uma disputa apertada no segundo turno contra Elmano
de Freitas, candidato do PT.
Na eleição municipal seguinte, em 2016,
Cláudio foi reeleito no segundo turno contra o militar Capitão Wagner.
Luizianne acabou em terceiro lugar, assim como em 2020, quando não
avançou para a etapa final da disputa.
No ano passado, Sarto (PDT)
foi eleito prefeito. Ele era deputado estadual e teve apoio de Ciro
Gomes. Com apoio do PT no segundo turno, venceu o Capitão Wagner (Pros)
em margem apertada. O bolsonarista é cotado para a disputa do Governo do
Ceará e flerta com o União Brasil.
O deputado federal André
Figueiredo (PDT-CE) defende que o PT esteja no palanque do PDT já no
primeiro turno no Ceará para derrotar o nome apoiado pelo presidente
Jair Bolsonaro (sem partido).
“O PT terá a responsabilidade no Ceará
de não deixar nosso projeto dar um passo atrás, uma vez que nosso
opositor representa o bolsonarismo no Ceará. (…) Temos confiança que
vamos construir uma chapa única com partidos do nosso campo e não
contamos com candidatura própria do PT”.
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